Há nas minhas entranhas e rusgas o esmagado oco
Um espacinho hifenado, um buraquinho
Que passeia, muda de lugar, vai de ponto a ponto
As vezes nem parece entranhas, nem rusgas de tão espaçado, de tão infinito, aerado e bonito que se constrói o oco.
branco
Postado em Uncategorized em novembro 4, 2009 por deladaniPreto no Branco
Postado em Uncategorized em novembro 4, 2009 por deladaniAs nuvens são a atípoda da perna
O acerto de quem erra
Cara de um
Focinho de outro
Somos todos
E há ainda quem espere pelo redondo
sem título
Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por deladaniOs morangos sempre serão salvos.
Salvos os tangos.
Existem esquinas brancas?
Morrem agunstiados os orango-morango- tangos.
Bye
Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por deladaniO que nos restou se juntos não criamos nem sapatos?
O que nos restou se nunca nos permitimos grudar que nem carrapatos?
O que nos restou a não ser comprovar que juntos não sabemos amar?
O que nos restou se dividíamos apenas a dor e ela passou?
Agora o que será?
Cada um com seu sapato vai procurar um amor que como diz o Caetano
não rime com dor.
Filho
Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por deladaniAcordou olhando pro lado. Seus olhos secos se abriram e viram suor e sangue que escorriam de um embrulho que estava do lado da sua cama O papel era castanho, tipo cor de papelão. Sua superfície estava suada como se fosse vivo. Ela então meio dormindo ainda e um pouco assustada colocou o pés no chão gelado e se levantou. Olhou pro embrulho com um carinho inexplicado. O sangue escorria numa linha fina escura debaixo do papelão. Ficou olhando para aquela linha de sangue que seguia seu caminho, sem entender nem pensar em nada. O tempo sumiu. Ela olhava praquele sangue escorrendo com se estivesse estado sempre ali. Como se nada, absolutamente nada pudesse acontecer depois daquilo. Nada além de um linha fina e escura caminhando no chão branco de seu quanto. O vento podia ventar lá fora o mar podia se mexer. Casas podiam subir e cair que nada aconteceria.
Nada era o que havia dentro do pacote. Ele suava e sangrava vazio.
De Lua
Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por deladaniTenho sopros de liberdade autêntica inexplicáveis. Eles vem e vão como a lua de mim mesma, da qual não sei ainda o padrão. Mas são de uma liberdade mais que o verde e o azul juntos, meio quase preta. De uma liberdade que não existe em cores e talvez nem em sons. Não sei ela vem e vai sem porquê. No mais sou concreto insosso. Mas liberdade sem cor definida vale a pena.
embaço
Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por deladaniTudo começou com vento. E terminou com neblina. Uma neblina leve, suave, com cheiro de mar. Neblina de fim de noite, de fim de dia. Leve como nuvem e densa como água. Rompeu de leve. Como se já estivesse previsto. Sem barulho. Sem vento. Rompeu quieto.
silêncio
Postado em Uncategorized em outubro 15, 2009 por deladaniEu nem sabia
E você armando
Eu me recuperando fria
E você armando
Em cada detalhe organizando o que viveríamos
Em cada ato programando o que sentiríamos
A sua narrativa imposta
Com todo o peso à minha carne exposta
As minhas expressões de menina
Pouco a pouco consumidas
O meu corpo de mulher
Tranformado num espectro qualquer
A sua narrativa imposta
E a minha carne exposta
E a cada ausência minha
Que açucarada tentava tornar mínima
Você me feria a tesouradas
Com as quais se recortava
A vida esgotada em palavras
Que tentavam nos poupar
Que tentavam nos salvar
Da história já prevista
Narrativa exposta e esgotada
Na ansia do signficado
Tudo foi calado
Você com a sua ferida de um lado
E eu ao seu desejo almagamada
Calada. Sofrida.
Cansada do jorro das palavras
Minhas e suas
Inútil tentativa de dois desesperados
Ingênuos acreditando podermos ser poupados.
Bolinha
Postado em Uncategorized em outubro 7, 2009 por deladaniUm branco suave de pestanas gastas.Pestanas que já viram muito. Tudo? Pestanas não se gastam. Olhares talvez. Um branco duro. Ardido. E as pestanas suaves , levemente ofendidas. E o branco ferindo. E umas covinhas de olho. Bonitas. De olhos cansados e pestanas novinhas.
O encontro da senhora soberba e da senhora altiva
Postado em Uncategorized em setembro 18, 2009 por deladaniA senhora soberba vinha andando de cabeça baixa, olhava o chão e pensava- por que ? eu não mereço isso!
A senhora altiva andava de cabeça baixa, olhava o chão e pensava que as calçadas eram coisas muito ímpares, esculturas coletivas da cidade. Olhava pro alto, sabia a cidade, e seus passos, de aguma forma faziam parte daquele todo.
A senhora soberba, nunca quiz o todo , porque era melhor que tudo aquilo que via.
A senhora altiva era melhor porque entendia.